Era estranho que ele estivesse ouvindo seu coração bater. Em geral, era sempre o contrário, sempre ela que ouvia o coração dele batendo. Não fazia sentido.
A garota mexeu delicadamente no cabelo curto dele, sem jeito. Não estava acostumada com aquele toque, com a cabeça dele encostada em seu peito, não estava acostumada a sentir a respiração até mesmo tranqüila movendo seus braços no mesmo ritmo. Ela o encarou, percebendo os olhos castanhos fechados.
“Preciso de um abraço” foi tudo que ele disse. Ele poderia ter abraçado a outra, ela estava até mesmo mais perto, mas preferiu que a garota se levantasse para abraçá-lo. Melhor assim, melhor para ela que estava com os braços dele enlaçados por sua cintura.
Com a ponta dos dedos, a garota tocou delicadamente o escapulário sobre o peito dele, fazendo-o abrir os olhos e encará-la. Era estranho o jeito que ela gostava daquele tom de castanho tão escuro... Talvez fosse a intensidade dele.
“Olhos claros são como a parte rasa de uma praia limpa: é fácil ver o que está no fundo. Já os olhos escuros são como um rio profundo: você nunca sabe o que se esconde por lá.” Ela havia dito, arrancando-lhe um sorriso dos lábios.
“Você esqueceu o seu tom de olho.” Observou ele.
“É que eu só sei analisar o que é dos outros.” Admitiu a garota, dando de ombros.
“Então eu faço isso por você.” O garoto piscou travessamente. “Os olhos que nem os seus, nem claros nem escuros, são os mais fascinantes. Eles podem estar mostrando o que a pessoa sente ou não, podem esconder o jogo ou não, podem dar pistas falsas. São os olhos mais falsos e ao mesmo tempo os mais verdadeiros. Os olhos mais misteriosos que ninguém é capaz de decifrar por completo, apesar de que muitas vezes eles são rasos e transparentes.” Ele terminou e ficou olhando-a, como se esperasse alguma crítica. A garota apenas o abraçou, sem saber como dizer tudo que sentia, sem ter como dizer.
Mas, apesar dessa lembrança, o que conta é o presente. Ela colocou o escapulário para dentro da camiseta branca e se afastou, fazendo-o desenlaçar as mãos ainda que a contragosto e sentindo o frio abraçá-la. O mesmo frio que sempre vinha quando ele se afastava.
2 comentários:
Ai Dani q história fofa!! Aposto q é baseada na vida real.... Bem, continuo adorando suas histórias, bjbj QUERO AQUELAS Q TÃO NO PEN HEIM/!!!!!!
XDXD
aaah Dani, que lindo *-* ameei flor.. vc escrevee muito.
adivinha quem é?! sua ex-beta puxa saaaco qqq adorei linda, beijos
Postar um comentário