Suas mãos tremiam e suavam, mas ela conseguia se controlar,
ao menos aos olhos dos outros. O calor que lhe subia pelo pescoço era um misto
do calor do corpo do garoto a sua frente e algo que não sabia explicar.
Deslizou os dedos pela curva da bochecha dele, seguindo com
delicadeza para o queixo e por baixo dos lábios grossos. Estava tão perto, e
não podia fazer nada. Controlava-se para não tremer, não fraquejar diante dos
olhos cor de chocolate que a encaravam, mas ficava cada vez mais difícil, cada
vez mais quente.
- Olha para cima. – Murmurou ela, passando a base suavemente
por baixo dos olhos dele, em seguida afastando-se para pegar a sombra marrom
sobre a pia, o calor trocado diminuindo e dissipando-se no ar. Mesmo assim,
ainda se sentia nervosa.
Ele se escorou contra a parede e dobrou as pernas para ficar
da altura dela. Ela sorriu de lado. “Bobo”. Um pouco hesitante, se postou entre
as pernas dele, mais perto do que antes, mais quente do que antes, mais corada
do que antes (embora a pasta d’água escondesse esse fato). A pele dele roçava
suavemente na sua, inocente, inconsciente, nas pernas, no peito e nos braços.
Com delicadeza, passou o dedo embaixo dos olhos dele, deixando-o com falsas
olheiras. Para finalizar, passou o batom rosa claro nos lábios grossos dele,
implorando por autocontrole, para não ser idiota, para não chegar mais perto,
para não beijá-lo...
- Acabei. Pode ir.
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