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sábado, 28 de agosto de 2010

Theater

- Oi. – Cumprimentou o rapaz, sorrindo.
- Ah, oi... – Respondeu ela, corando furiosamente e apertando ainda mais o fichário contra o peito. Seu coração parecia querer saltar por sua garganta, suas mãos suavam copiosamente e tremiam de um jeito delicado. Parecia difícil até mesmo respirar quando ele estava por perto.
“E o pior de tudo” pensou ela, “é que ele me deixa nervosa. Assim eu simplesmente não consigo lembrar as minhas falas!”. E era verdade, sempre que ele estava lá, a garota esquecia tudo que precisava dizer e que há poucos segundos estava na ponta da língua.
- Tudo bem com você? – Perguntou ele. Diante da sacudida de ombros dela, continuou. – Não muito? Hm... – O rapaz se afastou, indo cumprimentar os outro.
Ela suspirou pesadamente, sentando-se na beira do palco. Poderia ter dito o quanto sentira falta dele, poderia ter contado que quase enlouquecera durante as férias, mas não o fez. E naquele momento ele estava abraçando aquela garota atirada que falava tudo, até demais. Seu coração parecia afundar sempre que ele fazia aquilo.
A garota se levantou, passando pelas cortinas vermelhas, entrou nas coxias e saiu por uma pequena porta branca, com cuidado para que ninguém a ouvisse. Subiu alguns degraus da escada e sentou, sentindo-se bem no escuro e no frio. Apesar de suas costas doerem pelo contato direto com a ponta de granito, ela não se mexia para encontrar uma posição mais confortável.
Aos poucos, seu coração desacelerou, seu rosto tornou-se frio e pálido novamente, suas mãos pararam de tremer e sua respiração era mais natural. Ficou ali até ouvir a professora anunciando algumas coisas que ela provavelmente precisaria ouvir. Levantou-se devagar e fez todo o caminho de volta, dessa vez saindo pela porta lateral do palco que dava para a platéia.
- Olha só! Agora sim eu posso fazer um cover! – Disse o rapaz, começando a cantar uma música de uma das bandas favoritas dela. Ele usava o casaco que pedira emprestado de uma das colegas de teatro. – Isso ficou horrível em mim, meus ombros são muito finos.
- Não só os ombros. Você é bem magro. – Disse a garota, erguendo uma sobrancelha. Ela estava assustada, não sabia de onde conseguira coragem para falar com ele.
- Eu sei. – Ele suspirou quase que tristemente. – Estou sete quilos abaixo do meu peso ideal... – O rapaz tirou o casaco e devolveu-o a sua dona.
Assim que a professora desejou uma boa noite, ela abriu a porta e saiu correndo. Desceu várias escadas e, quando chegou onde sua mãe lhe esperava, entrou no carro depressa.
- O que aconteceu? – Perguntou a mãe. – Por que saiu correndo?
- Nada, mãe. – Murmurou ela, colocando o cinto de segurança. Não gostava de falar sobre o que sentia com as pessoas.
Enquanto o carro passava pelos postes cujas luzes refletiam-se nos olhos dela, ela observava as pequenas ondas que se formavam no rio, pensando no que teria acontecido se tivesse contado e como estava pior guardando por mais tempo aquele segredo. Não sabia quando voltaria a vê-lo, pois suas visitas eram extremamente irregulares. Sabia também que era possível nunca mais vê-lo.
Por quatro anos escondia dele o que sentia, mostrando o lado tímido que ninguém conhecia. Se os segredos que guardamos são exatamente o que somos, então ela era simplesmente diferente do que mostrava para os outros. E ela sinceramente não se importava.

2 comentários:

Morgana La fey disse...

É isso aí Dani! Suas histórias são muito bonitas, e expressam coisas que todo mundo sente, mas nem sempre tem coragem de contar, e acaba se identificando em alguns pontos. Parabéns!

Viih disse...

aaah eu conheço toda essa historia neh kkk continua escrevendo assim mt tri