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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Sobre Amor e Outros Monstros

Ele, Frankenstein. Remendado, refeito, usava pedaços de personalidades de outras pessoas que lhe apraziam. Cicatrizes invisíveis aos olhos, curadas por alguma substância estranha em seu sangue que acelerava a reprodução das células. Uma vez ele lhe disse o que era. Adrenalina? Talvez.
Mas ele sabia que as cicatrizes estavam lá. Olhava-se no espelho e via um monstro, cheio de pequenas listras brancas que dividiam seus membros. "Seus" membros. Então, em meio a seu tormento, afastou seu par, sentindo o chão ondular sob seus pés. Ela era boa demais para estar com ele, não deveria prendê-la a si, arrastá-la consigo. Não podia fazer algo tão terrível a ela. Afastou-se, sem olhar para trás.
Sozinha, no meio da pista de dança, ela baixou a máscara que insistentemente segurava.
Ela, demônio. Bruxa. Marcada por mais cicatrizes do que se poderia contar, machucados feitos a si mesma por razões irracionais e momentos de fúria, de tristeza. Marcas vermelhas visíveis a qualquer um, feridas abertas que o pobre tempo não conseguia curar.
Lágrimas escorriam como uma densa cachoeira sem arco-íris. Ela não via as cicatrizes dele, e esquecia de suas próprias quando estava na companhia de seu par. Esquecia que o amor nos torna monstros.
No final, somos todos monstros em um maldito baile de máscaras.

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